terça-feira, 11 de novembro de 2008

Por um mundo melhor

Foto by Beto


Estar na terra do Dalai Lama e uma emocao indescritivel.Ontem e hoje estive no templo budista e sinceramente eu nao imaginava o quanto isso poderia mexer comigo. E muito sublime imaginar que todas as pessoas que estao aqui tem seu pensamento focado em uma coisa so: paz e felicidade. Quando todas as energias buscam um mesmo objetivo,parece que fica mais facil canalizar as nossa emocoes tambem.Deste lugar,visitantes,monges,pessoas como nos,fazem sua parte,desejanto fortemente que o mundo seja um lugar melhor.

domingo, 9 de novembro de 2008

Incredible India

Fotos by Beto
Foto com a familia indiana, em Delhi

Ja imaginava que nao seria tarefa facil contar a India em palavras.Um sentimento muito intenso,unico e reflexivo te revira do avesso a partir do momento em que a India comeca a entrar dentro de voce.As diferencas,as cores,as coisas belas e horriveis penetram fundo nos olhos e tocam como jamais eu poderia imaginar.Das ruas sujas, da gente deitada no chao em meio a uma miseria sufocante e ao cheiro fetido a um lugar onde sorrisos,afeto e curiosidade sao capazes de superar(ao menos para eles)tanta diferenca.Algo parecido com um lugar que a gente conhece muito,muito bem. Nosso motorista Sashi(se pronuncia Saci,como o Perere)nos levou para conhecer varios pontos turisticos de Delhi e esteve conosco durante todo o dia. Nada e tao caotico quanto o transito de Delhi com onibus locais caindo aos pedacos,sem porta da frente nem de tras,entupido de gente. Auto-riquixas coloridos,carros e mais carros numa sinfonia de buzinas enlouquecedora.Sabado parece mesmo dia de turismo ou de passeios familiares.Encontramos muita gente por onde passamos e tantos olhares na nossa direcao.A simpatia,a alegria e a afetuosidade dos indianos parece um conforto,uma mao que passam na sua cabeca e desvia um pouco da atencao da miseria,da sujeira e da degradacao humana.
Dificil descrever o sentimento que toma conta da gente quando uma familia inteira e muitas criancas correm do seu lado para perguntar seu nome, te tocar,apertar e beijar sua mao,pedir pra tirar uma foto pelo simples fato de te achar diferente.Em poucos momentos a atracao da cidade era a gente com nossa falta de jeito,nossa pele branca,nossas roupas estranhas e talvez meu cabelo loiro e meus oculos escuros.Uma senhora me entregou o bebe nas maos para tirar uma foto e tocou minha cabeca como se eu fosse uma especie de deusa.Logo,varios garotos deixaram a timidez de lado e pediram com muita educacao para tirar uma foto comigo e assim iam formando pequenas filas em grupos que queriam uma minha lembranca.Inacreditavel e inesquecivel.
Uma viagem de onibus longa,torturante e cheia de curvas e buzinas me trouxe ate Dharamsala, o Pequeno Tibet.E aqui estou,no meio de monges,montanhas e sentindo uma imensa felicidade.


Segurando o bebe


Me sentindo uma estrela de Bollywood


Com as monjas, em Dharamsala

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bem vindos a India

Foto by Google(ainda nao deu tempo da gente fazer)

Welcome to India.Foram as primeiras palavras que escutei do colega ao lado quando aterrisamos hoje pela manha em Nova Delhi.A primeira imagem da India foi de um monte de gente uma em cima da outra,do lado de fora do aeroporto,esperando as pessoas,procurando um taxi,espremidos contra uma grade.O olhar expressivo de uma menina indiana,com os olhos pintados de preto e o corpo coberto com uma manta rosa e as maos agarradas na grade foi realmente o melhor "bem vindo" que eu podia receber.Do resto,muita buzina,milhares de pessoas de um lado pro outro,calor em pleno inverno e um ceu coberto de tanta poluicao.Esta e a India que eu vi.O resto tentarei contar pouco a pouco,se as palavras forem capazes de expressar o que e este pais.

Na terra de Don Matteo

Foto by Beto
Percorrendo os caminhos de Don Matteo

A Umbria e um sonho.Uma das regioes mais lindas da Italia com suas cidadezinhas medievais que da estrada a gente ve incrustadas nas montanhas.O cinza amarelado,amarronzado das construcoes em pedras antigas se junta ao verde das oliveiras e transforma a Umbria num lugar muito especial.Desta vez, a meta era conhecer Gubbio.Quando vim morar na a Italia,em 2004,adorava acompanhar um seriado de televisao que se chamava Don Matteo.Eu nem imaginava que Terence Hill era italiano.Quando eu era crianca,me divertia vendo a dupla que fazia com Bud Spencer(tambem italiano)no domingo,na televisao.Pois em Don Matteo,Terence Hill continua com o mesmo charme,apesar de bem envelhecido.Os anos passaram tambem pra ele e na serie da Rai,o loiro de olhos azuis continua aprontando,mas desta vez com batina de padre e uma bicicleta,percorrendo as ruas de Gubbio,atras dos bandidos que a policia italiana nao da conta de prender.Delicioso!Pois as cenas do seriado que mostravam essa cidadezinha linda me encantaram de tal forma que prometi que um dia teria de visitar Gubbio.E foi desta vez.As lentes da Rai nao mentiram,mas esconderam tantas outras belezas do lugar.Tudo ao vivo e a cores e muito melhor.Don Matteo esta de ferias e as pessoas sentem falta de Terence Hill(que adotou tres meninos carentes de um instituto da cidade)e de todos os atores e equipe da TV,que revolucionaram a pequena cidadezinha.A senhora da lojinha de souvenir me disse que ele e uma pessoa extraordinaria e que em Gubbio deixou saudades...Lindo,lindo o passeio por Gubbio.So faltou mesmo encontrar o Terence Hill.

Foto by Google

Terence Hill como Don Matteo

Ciao,Italia

Foto by Beto


Antes de ir embora da Italia,uma passadinha por Positano para despedir mais uma vez da minha querida terrinha.

Contando um segredo

Foto by Beto

Eu e minha bike, em Lucca

Todo mundo tem um segredo.O meu era na verdade um medo.Quando supera-se,porém,o medo que vira segredo já não é mais segredo.E para os amigos a gente pode contar.Não foi por falta de prática ou pela ausência de alguém que me segurasse firme na infância.O fato está que eu sempre tive um grande medo de andar de bicicleta.Compartilhava do meu mesmo mal minha melhor amiga,que preferiu casar-se a comprar uma bicicleta.Era realmente desconcertante e constrangedor recusar convites de amigos,investidas de garotos interessantes para evitar de passar essa grande vergonha.Aqui na Itália,a bici é um dos mais populares meios de transporte e,mesmo assim,nos anos em que vivi aqui,jamais arrisquei subir em duas rodas.Pra mim foi sempre um medo que um dia superaria,mas quanto mais tempo eu adiava este dia,melhor era.Ou não.Estive esses dias em Lucca,uma das mais lindas cidades da Toscana,cercada por uma grande muralha,o cenário perfeito que me metia inveja pela gente feliz e livre que pedalava no meio de todo aquele verde.O desafio estava lançado.Era o momento e a oportunidade de superar o medo que me prendia e me colocava muito longe do prazer que eu tanto queria sentir.De um lado o medo,do outro um lugar especial,a paisagem,as folhas no chão,o vento na cara e o prazer de libertar-se.Fiquei com a segunda opção,aluguei uma bici pequenina com a cestinha na frente e ainda temerosa subi em cima e comecei a pedalar meio sem jeito.Logo estava dando a volta na muralha,no lugar onde por várias vezes timidamente admirava as meninas com os cabelos ao vento,escondendo de todos o meu grande segredo.

domingo, 26 de outubro de 2008

Na montanha

Foto by Beto

As vacas do Alto Adige

Estar em uma casinha de campo no meio da montanha parece fazer parte do cast de um comercial do chocolate Milka.Impressionante como só a experiência pode dar a mínima idéia do que é viver em um lugar como este.A família Zimmer é jovem,mas numerosa.Christian e Frieda não têm 40 anos,mas estão criando já três filhos na casa onde ficamos hospedados.As 12 vacas e seus 20 litros de leite diário,além dos quatro quartos que alugam,garantem o sustento da família.A água que vem do rio e a lenha das árvores e pinheiros geram energia e fazem com que na casa quase não cheguem as contas no final do mês.Os cabritinhos e os coelhos no quintal são só para divertirem as crianças e convivem bem comendo mato e tudo aquilo que veem pela frente.O feno das vacas é bem estocado.É que o inverno chegou e a neve não dá trégua até abril.As vacas estarão por oito meses,até junho,quentinhas no estábulo e Christian me jura que elas não reclamam.Quem sofre são as crianças que acordam às 5h30 pois o ônibus que as leva à escola numa cidadezinha próxima passa às 6h15. No inverno,a freqüência diminui.As compras de supermercado são feitas de uma só vez.A hortinha com salsa,cebolinha,tomate,manjericão e orégano ajuda,e muito,no almoço e jantar.E, enquanto Christian prepara o feno,tira o leite das vacas e se empenha com o trabalho dessa roça diferente,Frieda está na cozinha ou limpando a casa.Eu observo tudo com olhos de curiosa,relembrando com saudade,dos tempos que eu calçava as Sete Léguas vermelhas e ia debulhar milho ou tomar leite com Toddy na caneca,debaixo da teta da vaca.

Foto by Beto
Os cabritos da família Zimmer