
Essa semana, ouvi de uma pessoa que a Índia pra ela, não é nada além que pura ignorância.
Pensei que um elefante caminhando na minha frente,ou um rato passeando pelo meu quarto me incomodam muito menos que as rodas de pseudointelectuais no café da livraria ou no restaurante do museu.
Imaginei que o cheiro de xixi misturado ao perfume das especiarias me embrulhava menos o estômago que o perfume francês e os quilos de maquiagem da moça do elevador.
Lembrei que tirar os sapatos e entrar dentro de um templo descalça pra mim foi muito mais prazeroso do que experimentar o sapato da vitrine da loja.
Senti que o sorriso gratuito e sincero pelas ruas da Índia era muito mais honesto do que tantos que eu ando recebendo por aqui.
Lembrei que as estações de trem, com o chão repleto de gente dormindo encolhida, eram mais aconchegantes e menos frias que a sala de espera de um consultório médico.
Lembrei que a curiosidade pura e inocente dos indianos era muito menos agressiva daquela das pessoas que fingem te dar conselhos.
Preferi milhões de vezes sentar no chão, comer com a mão e dividir meu alimento com alguma baratinha do que enfrentar a fila pro restaurante granfino, escutando conversas sobre a vida de quem eu nem conheço.
Vi que o abraço dos homens pelas ruas da Índia eram mais significativos que o aperto de mão entre os senhores engravatados.
Tive vontade de responder à pessoa que reduziu a tradução da Índia na palavra ignorância, mas achei melhor me fechar eu mesma na minha ignorância.
Hoje decidi: quero ser a mais ignorante de todos os seres humanos.








