Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A Síndrome de Firenze

video

Me surpreendi com este vídeo fantástico hoje, enquanto almoçava em um restaurante perto de casa. É a única hora do dia em que vejo TV.
Antes mesmo que aparecesse o letreiro no final do filme eu já sabia do que se tratava, a maravilha do Inhotim.
Excelente trabalho da agência Filadélfia, produção mineira de encher a gente de orgulho. O filme foi inspirado na Síndrome de Sthendal, um fenômeno descrito pelo escritor francês Sthendal como uma série de sintomas como falta de ar, palpitação, taquicardia, vertigem e desmaios em pessoas que visitaram a Galleria degli Uffizi, em Firenze.
A Síndrome de Sthendal é conhecida também como Síndrome de Firenze. Em 1817, de passagem pela cidade, Sthendal foi completamente absorvido pelos sintomas descritos ao visitar os locais que abrigam obras de arte.
"Havia atingido aquele nível de emoção onde se encontram as sensações celestes das artes e dos sentimentos apaixonados. Saindo da Santa Croce o coração bateu forte, caminhava temendo cair"
Em 1979, a psiquiatra Graziella Magherini analisou mais de 100 casos em turistas que visitaram Firenze. Entre os afetados, indivíduos de formação clássica, europeus e japoneses sensíveis à arte.
E pesquisando sobre o vídeo do Inhotim, descobri que sofri e ainda sofro a tal da Síndrome de Firenze. É realmente difícil explicar o encanto, a admiração, a atmosfera envolvente e perturbadora que Firenze causa na gente. Ali, eu não deixei somente parte da minha história, em Firenze, deixei também parte do meu coração.
E se um escritor francês descobriu que Firenze pode ser doentia, eu posso dizer que ela me deu muito mais que paixão, ela me ensinou a amar.


Firenze, vista por mim

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Cheios de estilo

Imagem Iara Vitral

Num mundo de regras, ditames e imposições de tendências, eles que­rem ser diferentes. Não para chocar, ser rebeldes ou outro motivo seme­lhante, mas simplesmente para desafiar o convencional e buscar a beleza nas coisas não óbvias. Vitrines, revistas, catálogos e novelas passam longe de serem fontes de inspiração para essas pessoas. O foco do olhar está nas ruas, no design, na arquitetura, na literatura e nas artes. Na verdade, o papel social da moda é expressar va­lores, e essa turma, considerada por muitos alternativa e fora do comum, leva tudo isso muito ao pé da letra.
“Amo a moda, mas acho importante traba­lhar a evolução do pensamento e não condicioná-la somente a estilo e status”, filosofa Uiara An­drade, assistente de estilo da grife Tereza Santos. Com experiência sólida no setor, Uiara, que aos 18 anos começou sua trajetória como modelo, tem uma visão muito particular da moda. Para ela, estética e comportamento devem andar juntos. “Sem­­pre procurei des­mi­tificar regras, o que en­gorda, o que cai bem, o que não cai. Meu olhar procura trabalhar com o que falta e com o que pode ser feito”, explica.
Para continuar lendo esta matéria que fiz para a Revista Encontro, clique aqui

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

A Igrejinha de Brasília

Imagens do Blog da Conceição Freitas, do Correio Braziliense


A Nossa Senhora de Fátima de Brasília não precisa de olho, nem boca, nem nariz. É bonita e expressiva mesmo sem expressão. Ora, que coisa mais estranha todas as Nossas Senhoras do mundo terem rostinho bem feito, olhar piedoso e nariz perfeitinho. Afinal, Nossa Senhora é sagrada, ué, é como um ser de outra dimensão, por que então ela tem que ser igual à gente, com olho, boca e nariz?
Se as crianças são as preferidas ao lado de Deus, que problema tem pintar um céu azul dentro da igrejinha, com pipas e carretéis coloridos?
"Ah, mas tá muito feia essa igreja, não tem nem a via sacra, era tão bonita antes da reforma", reclama a senhorinha da cabeça branca frequentadora das antigas. Enquanto isso,no lado de fora, a família posa para a foto depois do batizado de mais uma criança.
A igrejinha em forma de chapéu de freira só podia mesmo existir em Brasília, lugar onde as óbvias esquinas escondem surpresas a quem acha que tudo aqui é óbvio.
O artista lutou com pincéis contra a incompreensão de quem achava que a igreja também tinha que ser óbvia, padronizada. No lugar das cruzes, via sacras e lágrimas, ele pintou cores, alegria, beleza. E a igrejinha ganhou vida, com a Nossa Senhora, os pastores e um universo puro anil.
Alcançar o céu não é só sonho de beata, é luz, imaginação, é magia que torna possivel e legitima aquilo que chamamos de fé.

Domingo, 28 de Junho de 2009

A casa dos sonhos

Imagens do site minihouse.se

Quando eu era pequena, sonhava com uma casa em cima da árvore. Pegava o Manual do Professor Pardal na biblioteca do meu pai e ficava conjecturando um modo de realizar meu sonho. Tive que me conformar com as cabaninhas que fazia com as cadeiras da mesa de jantar e alguns cobertores.
Tudo bem que, na condição de criança, jamais conseguiria a proeza de montar a casa na árvore, mas no mundo dos adultos, tudo muda de figura. O jovem arquiteto sueco (ah, os talentos da Suécia...) Jonas Wagell encontrou a solução através de uma lei de seu país. Desde primeiro de janeiro de 2008, é possível construir na Suécia uma casa de até 15 metros quadrados no próprio terreno, sem qualquer tipo de autorização ou burocracia.
Wagell desenvolveu então a minicasa, uma casinha pré-fabricada que pode ser montada em um final de semana, seguindo um manual de instruções. Oito peças de compensado formam a estrutura da casa que é moderna, funcional e muito aconchegante.
A minicasa custa 12 mil euros e pode ser personalizada com módulos que são pagos à parte. Confesso que a ideia me trouxe de volta os sonhos de criança que ficaram esquecidos nas páginas do antigo Manual do Professor Pardal.
Para ver mais fotos e a maquete,acesse o site www.minihouse.se



Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Novo endereço

Imagem Google

Já não ouço mais a baderna dos meninos da favela quando voltam da aula, nem os pneus dos carros deslizando em dia de chuva, insistindo em alcançar o topo do morro. Da minha nova janela, vejo pessoas saudáveis correndo em volta de um bosque. Um céu que parece o infinito do mar, com nuvens que são loucas propositalmente para dar movimento onde a gente só vê linhas. De vez em quando, um louco passa gritando, mas eu nunca consegui entender o que ele diz. Aqui não existem vozes, talvez porque as esquinas são muito rígidas. Nunca escutei latido de cachorro ou miado de gato, mas de noite quando fecho os olhos, ouço pássaros que me dão boa noite e me acordam bem cedinho no dia seguinte. Carros, carros, carros, como se a longa avenida não tivesse fim nem tempo certo pra ser percorrida. É bom ter um espaço grande e um horizonte sem fronteiras, mas faz falta a sensação do aconchego das ruas estreitas e dos pequenos quadradinhos de céu, escondidos entre árvores e prédios de muitos andares. Mudar de endereço não significa mudar de identidade, como se o passado pudesse ser cancelado como foto antiga de documento, em que ninguém nos reconhece mais. Olhar por uma nova janela não pode ser difícil se a gente busca enxergar o sentido por detrás de cada mudança.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Milhares de sóis

Foto de Isabela

O sol se põe inúmeras vezes ao longo da vida que a gente vive. A magia deste momento significa a hora do jantar de quem vive na roça, o sinal barulhento para os alunos na sala de aula, a ave maria musicada para o caminhoneiro que segue viagem, a reverência de frente à mesquita, o sinal da cruz perante a igreja. Quantos pôres do sol a gente vive sem vivê-los e quantos deles a gente guarda pra sempre como um momento único e sublime.
Eu me lembro muito bem de dois, um na montanha e um no mar, um com pássaros e outro com golfinhos, um com vento e outro com a brisa.
Sentei na neve fofinha e olhei lá de cima a casinha de pedras, nem sinal de cidade. Na minha frente uma montanha, do meu lado e atrás de mim, outras duas, era uma cadeia e eu no meio dela. Os mistérios do dia-a-dia foram dissolvendo como quando o sol encosta na neve no início de primavera. O frio entrou pela orelha e me fez amassar o nariz com as luvas. Eu sabia que passados os anos, eu jamais iria viver a mesma sensação.
Subi uma outra pedra no verão do oriente, escorreguei na terra marrom, ralei o dedo e fiquei com medo. Nos sentamos e aceitamos o melão do vendedor solitário que suava carregando um balaio. Saboreando a fruta doce e contemplando o mar até onde vai aquela linha de infinito, avistamos seis golfinhos que lá de longe transitavam alheios ao que acontecia no mundo fora do oceano. Um balé fenomenal ritmado por uma música própria, já que o único som era aquele do vento. A bola de fogo descia e estava cada vez mais perto do mar, dentro de pouquíssimos minutos ela encontraria os golfinhos, os peixes e toda a vida no fundo do mar. O espetáculo deixaria de ser só nosso. Não pude não sentir imensa gratidão por ter uma terra minha,um sol meu, seis golfinhos, um companheiro e milhares de pôres do sol pela frente.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Você é o que você usa

Imagem Google

Alguém sabe realmente o que está por detrás da camiseta que veste? Não falo de estilo ou de moda como expressão de ideologias ou estado de espírito. Falo de todo processo pelo qual esta peça passou até chegar ao nosso corpo, da colheita do algodão ao transporte que a levou até a vitrine onde ela nos encantou.
Muita gente não sabe, mas o algodão, material presente na maioria das roupas que a gente usa, é um dos que recebe maior quantidade de agrotóxicos. 25% dos inseticidas usados no mundo são destinados às lavouras de algodão. Isso significa que estamos usando veneno para cobrir o nosso corpo. Um veneno perigoso, que além de afetar o meio ambiente, está matando aos poucos as pessoas envolvidas na colheita e contribuindo para desequilibrar o planeta.
Conheci o Instituto Ecotece, ao redigir uma matéria sobre consumo consciente para uma revista. A organização foi criada pela jornalista Ana Cândida Zanesco, que me explicou os objetivos do Ecotece e falou sobre a importância de avaliarmos o impacto do que vestimos no meio ambiente e na sociedade.
Para a produção de uma camiseta que pesa 250 gramas, são utilizados 160 gramas de agrotóxicos. Além disso, os processos de lavagem, tingimento e transporte agridem ativamente a natureza. Uma solução defendida pelo Ecotece é o uso de algodão orgânico, que além de respeitar o solo, não afeta a saúde das pessoas e sua produção realizada por pequenos agricultores locais, ajuda a incrementar a economia de forma sustentável. Todo mundo sai ganhando.
O Vestir Consciente, movimento criado pelo instituto, propõe uma mudança de consciência. Falar de moda ecológica, socioambiental ou sustentável é pouco. O que eles defendem é um retorno às nossas origens, de um relacionamento mais puro e respeitoso com a mãe natureza.
A dica para colocar a coisa em prática vem de soluções simples: que tal pensar se realmente precisa daquela roupa que está prestes a comprar? O que acha de reciclar aquela que já tem no armário ou procurar em um brechó alguma peça legal? A gente é o que a gente usa, e a partir daí mostramos pro mundo nossa inteligência e sensibilidade. Uma visita ao site do Ecotece ajuda a abrir os horizontes.
www.ecotece.org.br