sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Totó democrático

Imagens Corriere della Sera

Quando eu era criança adorava jogar totó com meus primos, apesar de ser fraquíssima e perder todas as partidas. Foi pura diversão quando descobri o totó, mas não achava graça nenhuma quando nas pescarias da festa junina da escola, acabava ganhando aquele sem graça jogo de botão com os brasões Atlético/Cruzeiro ou Flamengo/Botafogo.
Gostava mesmo era dos estojinhos de maquiagem. Quando meus pais saíam e minha avó ficava em casa cuidando da gente, eu aproveitava a sua falta de autoridade pra me pintar todinha. Me lembro ainda hoje da cara dela de desespero tentando me limpar antes que minha mãe chegasse.
Enfim, nos jogos de criança, pelo menos na minha época, tinha aquela coisa de menina brincar de boneca, menino brincar de bola. O contrário era totalmente estranho a tal ponto de fazer a gente se sentir em culpa por gostar de jogos de meninos. Adultos estúpidos...
Ainda bem que hoje as coisas estão mais democráticas. Se o mundo do futebol era (e ainda é) visto como um universo predominantemente masculino, por que não dar um toque feminino na coisa?
Foi o que fez a designer francesa Chloe Ruchon ao desenvolver uma mesa de totó feita com vinte e duas Barbies loiras, morenas e ruivas, vestidas em look esportivo. O brinquedo foi realizado em parceria com a Mattel e a BabyFoot Bonzini, tradicional empresa francesa que fabrica mesas de totó. Em série limitada, o "BarbieFoot" custa 10 mil euros. Só o preço não é democrático.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Muito além do vinho

Imagem Green Cork

Finalmente o inverno resolveu dar as caras. Os dias mais nublados também têm o seu fascínio, ainda mais quando se tornam cada vez menos frequentes.
Pra muita gente, frio é sinônimo de vinhozinho à mesa, para alguns, saboreá-lo independe da estação. Na Itália, ao menos um terço da população bebe vinho cotidianamente. Mas alguém já parou para pensar pra onde vão as rolhas dessa quantidade infindável de vinho que o mundo todo consome?
O Rilegno, um consórcio italiano para a recuperação e a reciclagem de embalagens de madeira, está mobilizando em todo o país um movimento para recolher as rolhas usadas nas casas, restaurantes, bares e hotéis. Pouca gente sabe, mas o material é 100% reaproveitável e pode ser utilizado de várias maneiras, em painéis de isolamento, objetos artísticos, sapatos, produtos para a construção civil e instrumentos musicais.
No mundo inteiro, são extraídas 300 mil toneladas de cortiça por ano. A cortiça é retirada da casca das árvores e, como qualquer produto natural, é limitada.
Um movimento similar já tem força em Portugal, o GREEN CORK - Programa de Reciclagem de Rolhas de Cortiça. O projeto defende o reaproveitamento das rolhas como solução para preservar o meio ambiente e pretende em 5 anos, plantar e cuidar de 1 milhão de árvores.
E se no Brasil temos ainda pouca informação sobre a reciclagem das rolhas, podemos fazer nossa parte separando plástico, metal, papel e vidro dos orgânicos. Não tem nenhum segredo.
Para visitar o site dos dois programas

http://www.earth-condominium.com/port/green.html
http://www.tappoachi.it/

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lamentável

Imagens Correio Braziliense

Notícia triste do dia: Igrejinha sofre vandalismo e irá abrir somente nos horários de missa.
A igrejinha aqui de Brasília da qual eu falei alguns posts atrás sofre com o vandalismo. Rabiscaram a imagem da Nossa Senhora com caneta esferográfica e carvão... Será que Deus perdoa ignorância?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Síndrome de Firenze

video

Me surpreendi com este vídeo fantástico hoje, enquanto almoçava em um restaurante perto de casa. É a única hora do dia em que vejo TV.
Antes mesmo que aparecesse o letreiro no final do filme eu já sabia do que se tratava, a maravilha do Inhotim.
Excelente trabalho da agência Filadélfia, produção mineira de encher a gente de orgulho. O filme foi inspirado na Síndrome de Sthendal, um fenômeno descrito pelo escritor francês Sthendal como uma série de sintomas como falta de ar, palpitação, taquicardia, vertigem e desmaios em pessoas que visitaram a Galleria degli Uffizi, em Firenze.
A Síndrome de Sthendal é conhecida também como Síndrome de Firenze. Em 1817, de passagem pela cidade, Sthendal foi completamente absorvido pelos sintomas descritos ao visitar os locais que abrigam obras de arte.
"Havia atingido aquele nível de emoção onde se encontram as sensações celestes das artes e dos sentimentos apaixonados. Saindo da Santa Croce o coração bateu forte, caminhava temendo cair"
Em 1979, a psiquiatra Graziella Magherini analisou mais de 100 casos em turistas que visitaram Firenze. Entre os afetados, indivíduos de formação clássica, europeus e japoneses sensíveis à arte.
E pesquisando sobre o vídeo do Inhotim, descobri que sofri e ainda sofro a tal da Síndrome de Firenze. É realmente difícil explicar o encanto, a admiração, a atmosfera envolvente e perturbadora que Firenze causa na gente. Ali, eu não deixei somente parte da minha história, em Firenze, deixei também parte do meu coração.
E se um escritor francês descobriu que Firenze pode ser doentia, eu posso dizer que ela me deu muito mais que paixão, ela me ensinou a amar.


Firenze, vista por mim

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cheios de estilo

Imagem Iara Vitral

Num mundo de regras, ditames e imposições de tendências, eles que­rem ser diferentes. Não para chocar, ser rebeldes ou outro motivo seme­lhante, mas simplesmente para desafiar o convencional e buscar a beleza nas coisas não óbvias. Vitrines, revistas, catálogos e novelas passam longe de serem fontes de inspiração para essas pessoas. O foco do olhar está nas ruas, no design, na arquitetura, na literatura e nas artes. Na verdade, o papel social da moda é expressar va­lores, e essa turma, considerada por muitos alternativa e fora do comum, leva tudo isso muito ao pé da letra.
“Amo a moda, mas acho importante traba­lhar a evolução do pensamento e não condicioná-la somente a estilo e status”, filosofa Uiara An­drade, assistente de estilo da grife Tereza Santos. Com experiência sólida no setor, Uiara, que aos 18 anos começou sua trajetória como modelo, tem uma visão muito particular da moda. Para ela, estética e comportamento devem andar juntos. “Sem­­pre procurei des­mi­tificar regras, o que en­gorda, o que cai bem, o que não cai. Meu olhar procura trabalhar com o que falta e com o que pode ser feito”, explica.
Para continuar lendo esta matéria que fiz para a Revista Encontro, clique aqui

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Igrejinha de Brasília

Imagens do Blog da Conceição Freitas, do Correio Braziliense


A Nossa Senhora de Fátima de Brasília não precisa de olho, nem boca, nem nariz. É bonita e expressiva mesmo sem expressão. Ora, que coisa mais estranha todas as Nossas Senhoras do mundo terem rostinho bem feito, olhar piedoso e nariz perfeitinho. Afinal, Nossa Senhora é sagrada, ué, é como um ser de outra dimensão, por que então ela tem que ser igual à gente, com olho, boca e nariz?
Se as crianças são as preferidas ao lado de Deus, que problema tem pintar um céu azul dentro da igrejinha, com pipas e carretéis coloridos?
"Ah, mas tá muito feia essa igreja, não tem nem a via sacra, era tão bonita antes da reforma", reclama a senhorinha da cabeça branca frequentadora das antigas. Enquanto isso,no lado de fora, a família posa para a foto depois do batizado de mais uma criança.
A igrejinha em forma de chapéu de freira só podia mesmo existir em Brasília, lugar onde as óbvias esquinas escondem surpresas a quem acha que tudo aqui é óbvio.
O artista lutou com pincéis contra a incompreensão de quem achava que a igreja também tinha que ser óbvia, padronizada. No lugar das cruzes, via sacras e lágrimas, ele pintou cores, alegria, beleza. E a igrejinha ganhou vida, com a Nossa Senhora, os pastores e um universo puro anil.
Alcançar o céu não é só sonho de beata, é luz, imaginação, é magia que torna possivel e legitima aquilo que chamamos de fé.

domingo, 28 de junho de 2009

A casa dos sonhos

Imagens do site minihouse.se

Quando eu era pequena, sonhava com uma casa em cima da árvore. Pegava o Manual do Professor Pardal na biblioteca do meu pai e ficava conjecturando um modo de realizar meu sonho. Tive que me conformar com as cabaninhas que fazia com as cadeiras da mesa de jantar e alguns cobertores.
Tudo bem que, na condição de criança, jamais conseguiria a proeza de montar a casa na árvore, mas no mundo dos adultos, tudo muda de figura. O jovem arquiteto sueco (ah, os talentos da Suécia...) Jonas Wagell encontrou a solução através de uma lei de seu país. Desde primeiro de janeiro de 2008, é possível construir na Suécia uma casa de até 15 metros quadrados no próprio terreno, sem qualquer tipo de autorização ou burocracia.
Wagell desenvolveu então a minicasa, uma casinha pré-fabricada que pode ser montada em um final de semana, seguindo um manual de instruções. Oito peças de compensado formam a estrutura da casa que é moderna, funcional e muito aconchegante.
A minicasa custa 12 mil euros e pode ser personalizada com módulos que são pagos à parte. Confesso que a ideia me trouxe de volta os sonhos de criança que ficaram esquecidos nas páginas do antigo Manual do Professor Pardal.
Para ver mais fotos e a maquete,acesse o site www.minihouse.se