Imagens do Blog da Conceição Freitas, do Correio Braziliense
A Nossa Senhora de Fátima de Brasília não precisa de olho, nem boca, nem nariz. É bonita e expressiva mesmo sem expressão. Ora, que coisa mais estranha todas as Nossas Senhoras do mundo terem rostinho bem feito, olhar piedoso e nariz perfeitinho. Afinal, Nossa Senhora é sagrada, ué, é como um ser de outra dimensão, por que então ela tem que ser igual à gente, com olho, boca e nariz?
Se as crianças são as preferidas ao lado de Deus, que problema tem pintar um céu azul dentro da igrejinha, com pipas e carretéis coloridos?
"Ah, mas tá muito feia essa igreja, não tem nem a via sacra, era tão bonita antes da reforma", reclama a senhorinha da cabeça branca frequentadora das antigas. Enquanto isso,no lado de fora, a família posa para a foto depois do batizado de mais uma criança.
A igrejinha em forma de chapéu de freira só podia mesmo existir em Brasília, lugar onde as óbvias esquinas escondem surpresas a quem acha que tudo aqui é óbvio.
O artista lutou com pincéis contra a incompreensão de quem achava que a igreja também tinha que ser óbvia, padronizada. No lugar das cruzes, via sacras e lágrimas, ele pintou cores, alegria, beleza. E a igrejinha ganhou vida, com a Nossa Senhora, os pastores e um universo puro anil.
Alcançar o céu não é só sonho de beata, é luz, imaginação, é magia que torna possivel e legitima aquilo que chamamos de fé.